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Categoria
Ajuda Humanitária
Data
12-07-2024
Visualização
208
COMUNIDADES SAN NO CUANDO CUBANGO VIVEM EM CONDIÇÕES
DESUMANAS
Em Angola, os grupos minoritários (San, Vatua, Kuepe, Kuisi,
Kuamashi, etc) encontram-se nas províncias do Cuando Cubango, Cunene, Huíla,
Moxico e Namibe. De acordo com o último Censo de População e Habitação, cerca
de 0,1% da população é de grupo étnico San (que é de cerca de 14.000 pessoas),
o número maioritário é de mulheres e jovens com menos de 20 anos de idade, com
uma média de 9 Membros por agregado familiar.
De acordo com o relatório do estudo sobre "a
sistematização do património Sociocultural do povo San em Angola", o San
tem a terra como sua herança territorial onde exerce as suas actividades
económicas, como caça, pesca, apicultura e recolecção de frutos silvestres, que
constituem 85% da sua dieta, enquanto os restantes 15% obtidos a partir de
coleta de mel. Sem esquecer que é na terra onde eles extraem raízes medicinais
para a cura de várias doenças (malária, tuberculose, lepra, sarna, sarampo,
impotência sexual, epilepsia,). É quase impossível falar de preservar a cultura
das comunidades indígenas San, sem esta necessidade primária para o San não ser
salvaguardada.
A Constituição da República de Angola 2010, não aborda
claramente a questão da segurança e direitos de posse da terra para os povos
indígenas embora alínea e) do artigo 4º da Lei 09/2004, de 9 de Novembro, Lei
de Terra da República de Angola, como um conjunto de princípios fundamentais
para a transmissão, constituição e exercício de direitos sobre a terra em
terrenos controlados pelo Estado. O "princípio do respeito pelas
comunidades rurais do direito consuetudinário a terra conforme estabelece o N.º
1 do artigo 9 que, o Estado respeita e protege os direitos de comunidades
rurais em usar, incluindo aqueles que são fundadas sobre os usos e costumes.
No que diz respeito à protecção das terras comunitárias, os
artigos 22, 23 e 33 são sobre os direitos e protecção das terras em áreas
rurais sob a lei de terras. É da responsabilidade dos governos provinciais a
atribuição de títulos de posse de terra da comunidade é de 1.000 à 2.000
hectares e para IGCA (Instituto de Geodesia e Cartografia de Angola) os títulos
de atribuição é de 1.000 à 10,000 Hectares. Ao Governo Central é atribuído
poderes de alocar a terra de mais de 10.000 Hectares, bem como estabelecer
reservas naturais.
Apesar de que Angola é assinante da Declaração Universal dos
Direitos Humanos de 1948, Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos
Povos Indígenas (UNDRIP), os Pactos Internacionais sobre Direitos Econômicos,
Sociais e Culturais, de 1966; sobre os Direitos Civis e Políticos de 1966 e
Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos. Quanto a Convenção 169 da OIT
(Organização Internacional de Trabalho) sobre a protecção e integração dos
povos indígenas, tribais e semi-tribais de 1989, o estado angolano ainda não
ratificou. Por isso, os povos indígenas San, não têm a protecção efectiva do
Estado.
A maioria do San povos em Angola ao vivo na província Cuando
Cubango, que é a segunda maior de Angola e rica em fauna e flora. Segundo dados
oficiais, estima-se que mais de 12.000, homens 1247, mulheres 2184, rapazes
3.330 e raparigas. os San (caçadores e recolectores) habitam nesta província em
cerca de 45 comunidades espalhadas nos municípios de Calai, Cuangar, Dirico,
Mavinga, Menongue, Nancova e Rivungo. Durante as três décadas de guerra civil,
o San povos foram profundamente afectadas pela guerra, e suas comunidades
dilaceradas. Hoje, a situação do povo San piorou porque o Governo angolano não
gizou políticas públicas para reinserção dos grupos minoritários ou sub-representados,
a exemplo da Namíbia, Botswana e África do Sul.
No quadro do Programa para inclusão e inserção (PIR) da
MBAKITA, esta realizando um diagnostico para Actualizacao de dados com
objectivo de estabelecer e capacitar as comunidades para a defesa, proteção e
promoção de maior acesso a serviços sociais de qualidade a ser oferecidos pelo
Governo, com realce para o acesso a registo civil, serviços de educação e
saúde, agua e saneamento, bem como o direito a alimentação adequada., O
estabelecimento de assentamentos com residências construídas arquitetonicamente
a seu estilo e gosto, a organização comunitária das aldeias San com a criação
dos CDA((Conselho de desenvolvimento da Aldeia), construção de jangos
comunitários para seus encontros com objectivo de debatem os problemas os
afligem e consequentemente levarem os assuntos ao Governo. O aumento do dialogo
com o Governo traduzir-se-ia em acções de advocacia eficazes, etc.
Tendo em conta a situação das mudanças climáticas que assolam o Sul de Angola com a escassez
galopante de alimentos, sobretudo as comunidades San que dependem grandemente
dos frutos da natureza, a MBAKITA entendeu trabalhar fortemente num diagnostico
participativo rural (DRP) que permitisse ter uma visão holística sobre os reais
problemas que afectam as comunidades de
modo a gizar um programa estruturante de combate a fome, pobreza e
analfabetismo.
O município de Menongue, tem sido o epicentro das acções da
ONG MBAKITA. E As actuais condições de segurança alimentar e nutricional dos
San no Cuando Cubango, são extremamente desumanas porque estão desprovidos de
quase tudo, desde os mantimentos e a sua
única saída é recorrer a caça furtiva e
recolha de frutos silvestres que transformam-nas em farinha com a qual confeccionam o pirão
para o seu alimento.
Constataçoes do DRP
O soba da comunidade San no bairro novo comuna de Caiundo
Município de Menongue, Manuel Tchiculo disse que tanto os homens como as
mulheres e crianças são diariamente envolvidos nas operações de localização e
busca de Mangongo, Maboque, Vintcha,
vimbongo, vimpa, do qual extraem o óleo
e a fuba um trabalho difícil que lhes
permite sobreviver.
Deste jeito de acordo com o soba Manuel Tchiculo surgem
várias doenças que também para a sua cura recorrem há um Naturopata de sua
comunidade que usa raízes e rituais baseados na dança denominada Kapampa ou
Mahamba com a qual saram os enfermos.
Face aos relatos da situação vigente dos San no Cuando
Cubango, o Presidente do Conselho de Administração da MBAKITA Pascoal
Baptistiny Sávio Samba, na qualidade de
defensor dos direitos humanos cujo objecto da ONG que dirige é inclusão social
das minorias étnicas, viu-se na necessidade de retomar o ciclo de constatações
as actuais condições dos kamussequeles que as considerou deveras preocupantes e desumanas em pleno século XXI.
Apesar de tudo os San preservam a sua identidade no que a
natalidade diz respeito, mantendo os costumes de recorrer as práticas
rudimentais por exemplo no acompanhamento das mulheres gestantes e na
realização de partos tradicionais que consideram seguros porque segundo
afirmaram são feitos com a presença de uma parteira tradicional.
A MBAKITA no âmbito das suas políticas sociais de acordo com
Pascoal Baptistiny Sávio Samba, vai em breve começar com o processo de
aceleração escolar no seio de centenas de crianças SAN, que nem se quer estão inseridos no sistema de
ensino, uma situação que lhes coloca a
margem e longe de compreenderem e um dia defenderem os seus direitos e deveres
como cidadãos.
No Cuando Cubango as comunidades SAN vivem ao longo da bacia
hidrográfica de Okavango do lado de Angola onde sua actividade principal
centra-se na adaptação, por isso, a todo custo buscam os modos viventes dos
bantus tentando criar bois; cabritos e galinhas, iniciativas que contam com
apoio do governo provincial do Cuando Cubango, que recentemente distribuiu gado
bovino e charruas para tração animal um processo que não tem sido fácil para
aqueles estão a sair do nomadismo como disse o Administrador comunal de Caiundo
Manuel Moura Jamba.
O Bairro Novo na
comuna de Caiundo de acordo com o soba Manuel Tchiculo controla perto de 50 pessoas entre eles 12
rapazes 7 raparigas 6 senhoras 5 homens e 20 crianças que a semelhança das
comunidades do Bundo, Ntopa, Mulemba e outros enfrentam várias dificuldades que
se resumem na fome porque as sua pequena produção de milho, massango e
massambala foi arrasada pela seca que se faz sentir na região estando a
clamarem por todo tipo de ajuda.
DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO DA MBAKITA Em Menongue, Aos 12
de Julho de 2024